No RioMarket 2025, dirigentes da Globo e da ABERT, com apoio da recém-criada FICA, pedem normas equilibrando acesso de emissoras tradicionais e novos players aos novos modelos de negócio

Foto: Eny Miranda
A nova tendência que promete impactar de forma significativa o futuro da mídia e do entretenimento é a TV 3.0, ou DTV +, como foi oficialmente nomeada no Brasil. Ela representa uma evolução profunda da televisão aberta, que vai oferecer alta resolução de imagem, áudios imersivos multitrilhas, recursos interativos, recursos de acessibilidade, personalização do conteúdo, acesso ao e-commerce durante transmissões, publicidade segmentada e integração completa dos canais de tv com a internet, gratuitamente.

O painel “TV 3.0: O Futuro da Televisão”, realizado no dia 9 de outubro no RioMarket 2025, contou com a presença de Marcelo Bechara, Diretor de relações institucionais, mídias e regulação do Grupo Globo e Cristiano Flôres, presidente da ABERT, que discutiram as transformações tecnológicas e narrativas que estão redefinindo a forma de assistir a tela. Entusiasmados com as perspectivas abertas com as novas tecnologias para acesso remoto ao Sistema Único de Saúde, documentação oficial e agendamento gratuito de serviços públicos, por exemplo, os dirigentes alertaram para a necessidade de uma regulamentação equilibrada.

Hoje, as telas iniciais das smart TVs, com frequência, escondem as emissoras abertas. Nas normas para a TV 3.0, as emissoras garantiram a presença do botão da DTV+ no controle remoto e espaço para as logos dos canais tradicionais na tela de acesso dos aparelhos de TV 3.0. A reivindicação foi apoiada pela presidente da Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual, Walkiria Barbosa.
Na mesma linha de raciocínio de garantir equilíbrio entre os concorrentes, os dirigentes das emissoras abertas pediram a consolidação de normas, cobrando das plataformas de internet e dos fabricantes de TV, que cada vez mais oferecem conteúdo próprio ou sob sua curadoria, as mesmas balizas impedindo publicidade infantil ou produções que divulgam práticas que atentem contra os direitos humanos ou a ordem democrática. Afinal, a TV seguirá, mesmo com mais canais, sendo um serviço público, sujeito portanto aos mesmo princípios gerais da comunicação socialmente responsável.
No dia 27 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto oficializando a TV 3.0, que se tornará o novo padrão da televisão digital. Para usufruir desse sistema da TV mais inteligente e personalizado, de início será necessária a aquisição de um conversor. A meta, contudo, é que, em breve, os aparelhos televisivos já saiam de fábrica com essa tecnologia.

De acordo com os especialistas, a previsão é de que essa inovação já esteja disponível para a Copa do Mundo de 2026. “Já foram feitas operações de caráter experimental aqui no Rio de Janeiro, em São Paulo e logo vamos ter em Brasília. A implementação da DTV + vai começar pelas regiões metropolitanas”, esclarece Cristiano. “A TV 3.0 é a construção de um novo ecossistema que insere definitivamente a TV aberta na economia digital, proporcionando uma experiência produtiva e democratizada”, declara.
Segundo Marcelo e Cristiano, será adotada a tecnologia de transmissão do sistema ATSC 3.0, desenvolvida nos Estados Unidos. “A gente vai migrar para esse novo software, já utilizado nos EUA, na Coreia, México e no Canadá. Os canais de TV aberta vão estar disponíveis no formato de aplicativos, como se fossem plataformas de streaming, e no controle remoto terá um botão chamado DTV +, que vai direcionar o usuário para a essa seção”, afirma Marcelo.
O diretor de relações institucionais do Grupo Globo explica que a nova tecnologia vai ser intuitiva para os usuários e vai oferecer mais recursos de acessibilidade. “Além do closed caption e da audiodescrição, também estará disponível a tradução em libras na tela, que não é uma realidade hoje”, revela Bechara. Na audiodescrição, por exemplo, a novidade é que será possível enviar, através do bluetooth, um sinal audiodescrito para um headphone específico, usado pela pessoa com deficiência visual, sem que ela seja isolada da experiência coletiva de assistir televisão.
Pela primeira vez, o público da TV aberta poderá interagir com o conteúdo em tempo real, escolher o que assistir de forma mais personalizada, receber publicidade segmentada, votar em programas e até realizar compras durante as transmissões. Isso transforma completamente a experiência da audiência, aproximando a TV aberta das plataformas digitais e criando novas possibilidades para criadores, jornalistas e comunicadores. A DTV + representa um passo gigante na modernização da TV aberta.
Com a personalização de conteúdo e a possibilidade de oferecer experiências sob demanda, a TV 3.0 permite mais vozes, mais formatos e mais formas de contar histórias. Isso abre espaço para uma comunicação mais diversa, que representa melhor o Brasil e seu público. Apesar de contar com tecnologia de ponta, a DTV+ mantém a gratuidade da TV aberta, garantindo acesso à informação, cultura e entretenimento para milhões de brasileiros com maior qualidade.






Deixe um comentário