Há algo reconfortante em sentar no sofá e se deparar com aquele típico filme com cara de “Sessão da Tarde”, que não tenta reinventar a roda, mas cumpre com louvor o seu papel de nos fazer desligar do mundo. Marido de Aluguel é exatamente esse tipo de experiência. O longa joga com uma certa ilusão criada pelo próprio título, mas se apoia em uma brasilidade deliciosa e extremamente familiar. São situações cotidianas que poderiam facilmente acontecer na casa de qualquer um de nós, trazendo aquele sabor caseiro e caloroso que só o nosso cinema comercial consegue entregar quando abraça a simplicidade.

O grande trunfo da produção — e o motivo pelo qual a experiência realmente engrena — é a escolha milimétrica do seu elenco. Maurício Manfrini, Mariana Xavier e Alexandre Lino possui uma veia cômica muito transparente e despretenciosa, o que deixa o filme leve e em certas cenas com aquele alívio cômico preciso, mesmo com um roteiro simples, direto e repleto de piadas que beiram o bobo, a entrega e a química dos atores transformam o tom bobajão em momentos de riso genuíno e gargalhadas sinceras. É um elenco de apoio afiadíssimo e irreverente que se diverte em cena, transformando pequenas piadas caricatas em um tempero especial. A atuação cativante do grupo principal eleva o texto e faz com que a gente realmente se afeiçoe àquela bagunça toda, garantindo o carisma do filme do início ao fim.

Por outro lado, nem tudo funciona com o mesmo brilho, e o filme tropeça justamente onde precisava de um pouco mais de força dramática ou cômica: no seu antagonista. O vilão da trama chega a ser tão sem graça que nos faz duvidar se ele é, de fato, a grande ameaça da história. Ao tentar transformá-lo em uma figura exagerada e caricata, a narrativa perde a mão, fazendo dele um dos pontos mais fracos da obra. Essa falta de peso no arco do opositor evidencia ainda mais que a história não traz nenhuma inovação para o gênero, apostando em caminhos extremamente previsíveis.

No fim das contas, Marido de Aluguel se consolida como uma comédia leve, despretensiosa e perfeitamente recomendável para aquele dia em que você só quer dar umas risadas sem pensar muito. O elenco é certeiro e entrega atuações ótimas, mas é preciso lembrar que atores talentosos, por si só, não carregam um filme inteiro nas costas quando a trama não ajuda. Trata-se de um pequeno primor em sua proposta descompromissada, um filme bom e honesto para um domingo à tarde, desde que você dê o play sem esperar nada genial.
Texto por: Caio Felipe
Nota: 3/5






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